Recalcatti defende abertura da Estrada do Colono para o ecoturismo

Cerca de 2.500 pessoas compareceram no Parque de Exposições de Capanema, na última quinta-feira, 15, na audiência pública sobre a reabertura da estrada “Caminho do Colono”, realizada por uma Frente Parlamentar da Assembleia Legislativa do Paraná. A população da região, no Sudoeste do estado, foi a mais afetada pelo fechamento da estrada em 1986. A ligação histórica, entre Capanema e Serranópolis do Iguaçu, atravessa 17 quilômetros do Parque Nacional do Iguaçu.

 

Na sexta-feira, 16, o tema também foi discutido no auditório da Prefeitura de Medianeira com cerca de 300 presentes. Onze deputados estaduais participaram das audiências públicas e visitas ao entorno do Parque. “Foram dois dias de atividades intensas que resgataram a luta pela reabertura da estrada dentro de uma nova concepção de uso do Caminho do Colono, ambientalmente correta e voltada para o ecoturismo”, destacou o deputado Delegado Recalcatti (PSD).

 

“Há praticamente uma unanimidade entre os defensores da reabertura de que haja um forte controle sobre o tráfego de veículos dentro do Parque Nacional do Iguaçu, proibindo veículos pesados, como ônibus e caminhões, impondo limites de velocidade e utilizando todos os recursos possíveis para a travessia segura de animais”, completou. Segundo Delegado Recalcatti, o uso de tecnologia e de videomonitoramento será fundamental para o plano de manejo.

 

“Existem várias propostas no sentido de proteger a fauna e a flora, mas o fundamental é que os moradores da região, principalmente do Sudoeste, possam ter a opção de encurtar o caminho para o outro lado do Parque, viabilizando ao mesmo tempo atividades ecoturísticas e práticas conservacionistas em toda a região”, avaliou, após participar da audiência pública em Capanema e ter visitado a cabeceira da antiga estrada.

 

PROPOSTA NO SENADO

Os deputados estaduais devem, em breve, formar uma comissão para levar a reivindicação às autoridades federais, incluindo o presidente Jair Bolsonaro. Um projeto de Lei, de autoria do ex-deputado Assis do Couto, foi aprovado recentemente na Câmara dos Deputados propondo a regulamentação das estradas parques e também a criação da Estrada Parque Caminho do Colono.

 

A proposta tramita agora no Senado Federal e deve ser votada pelas Comissões de Infraestrutura, de Meio Ambiente e do Desenvolvimento Regional e Turismo. A votação na última Comissão é terminativa e somente irá a plenário se houver solicitação de algum senador. Caso contrário, estará automaticamente aprovada com a tramitação nas três Comissões.

 

MOBILIZAÇÃO E COMOÇÃO

“O comparecimento em massa da população na nossa reunião foi impressionante e atesta a necessidade da reabertura”, comentou Delegado Recalcatti. O Centro de Eventos Martinho Lutero, no Parque de Exposições de Capanema, já estava lotado uma hora antes do início da audiência pública. “Ao chegar na cidade, era notória a comoção que o debate proposto pelos deputados provocou na cidade e região”, destacou Delegado Recalcatti.

 

“Várias lojas penduraram banners de apoio à reabertura do Caminho do Colono e as manifestações dos populares eram todas favoráveis”, constatou. Não é por menos. Desde o fechamento da estrada, em 1986, os moradores de toda a região, no lugar de atravessar os 17 quilômetros do Parque, passaram a ser obrigados a percorrer 160 quilômetros até chegar à outra cabeceira da estrada utilizando trechos da BR-163 e da BR-277 que contornam a parte Leste do Parque.

 

 

ABERTURA FORÇADA

Os moradores das cidades ao Sul da área de preservação foram os mais afetados. Tanto que dois grandes conflitos ocorreram entre forças de segurança nacionais e a população que estava inconformada com o fechamento da estrada, que aconteceu por ordem judicial, a pedido do Ministério Público, em 1986. Em 1997, contrariando a decisão judicial, moradores da região reabriram a estrada à força, derrubando piquetes e reativando a balsa da travessia do rio Iguaçu, em Capanema.

 

Durante quatro anos, a estrada operou dessa forma mas sem os devidos cuidados ambientais. Havia registros de mortes de muitos animais e perturbação por alta velocidade e tráfego de veículos pesados. Em 2001, o Ministério Público obteve uma liminar e grupamentos do Exército e da Polícia Federal, com cerca de 300 homens, realizaram uma gigantesca operação para bloquear os dois extremos da estrada, destruir pontes e construir barreiras para impedir o tráfego.

 

CONFLITOS E CRISE

Houve um violento confronto, com uso de helicópteros e força física. Bombas de efeito moral foram lançadas contra populares. Ocorreram diversas prisões de lideranças e políticos, incluindo dois prefeitos. Os hospitais e postos de saúde recebiam feridos a toda hora. A cena mais dramática ocorreu quando o Exército explodiu a balsa que, durante algum tempo, permaneceu sob as águas do rio Iguaçu. Meses depois, em nova operação para removê-la do local, moradores se abraçaram à embarcação provocando novo confronto.

 

Em 2003, depois do fracasso de várias tentativas judiciais pela reabertura, a população invadiu o Parque Nacional do Iguaçu reabrindo a estrada mais uma vez, construindo pontes e improvisando uma balsa. Cinco dias depois, a Polícia Federal novamente retirou à força os populares de dentro da área e apreendeu uma embarcação que estava sendo construída no centro de Capanema. Desde então, os moradores têm convivido com o fechamento da estrada Caminho do Colono.

 

Familiares que moram nos lados opostos do Parque deixaram de se ver com frequência, o comércio entre as duas regiões caiu a zero e a economia das cidades daquela parte do Sudoeste desacelerou drasticamente. Antes do fechamento, Capanema possuía população de quase 35 mil habitantes. Hoje, são cerca de 19 mil. “O impacto do fechamento da estrada foi extremamente negativo e comprometedor”, avaliou Delegado Recalcatti.

 

ESTRADA HISTÓRICA

Uma das alegações do Ministério Público e ambientalistas para o bloqueio da estrada é que teria sido construída depois da criação do Parque Nacional do Iguaçu, em 1939, inicialmente com apenas 3 mil hectares – em 1949, novo ato ampliaria a área para os atuais 185 mil hectares. De acordo com esse argumento, a estrada foi aberta posteriormente apenas com a finalidade de ligar as cidades de Capanema e Serranópolis para o desenvolvimento econômico da região.

 

A História, porém, desmente essa versão que teria convencido as autoridades judiciais. O principal desbravador do Oeste paranaense, Cabeza de Vaca, relatou em 1543 a existência de um caminho pelas margens do rio Iguaçu e pelas Cataratas, chamado de caminho de Peabiru, que incluiria o percurso do Caminho do Colono. Entre 1620 e 1630, a trilha foi utilizada pelos padres jesuítas e índios guaranis que rumavam para as Missões, no Rio Grande do Sul.

 

Nos anos de 1920, a ligação começou a ser mais intensamente utilizada pelos colonizadores da região, ganhando características de estrada para dar passagem a carroças e tropas. O Caminho do Colono também foi utilizado, em março de 1925, pelos 800 soldados que compunham a Coluna Prestes, de Luiz Carlos Prestes. Nos anos de 1930, a extração da erva-mate na região consolidou o caminho entre as regiões Sudoeste e Oeste do Paraná.

 

POTENCIAL TURÍSTICO

A tese de que o Caminho do Colono não possui valor histórico, portanto, é completamente infundada. Para Delegado Recalcatti, ao contrário, esses registros fortalecem a proposta de uso ecoturístico da região. Ele destacou que a empresa Macuco recebeu, no início do ano, autorização do ICMBio para realizar algumas atividades ecoturísticas dentro do Parque e no seu entorno, como trilhas, visitas a ilhas e cachoeiras, passeios de barcos, hospedagem rústica, rafting e observação da fauna.

 

Em apenas seis meses, quase 5.000 turistas visitaram a região, incluindo dezenas de estrangeiros. “O potencial para o ecoturismo é imenso e o Caminho do Colono pode agregar ainda mais valor a essas atividades, incentivando o setor hoteleiro e gastronômico nas cidades do entorno, além de servir de passagem para os moradores da região”, avaliou Delegado Recalcatti. Segundo ele, a necessidade de atravessar o rio Iguaçu em balsas já é uma forma de controlar o fluxo de veículos dentro do Parque.

 

PARTICIPAÇÕES

A audiência pública em Capanema contou com as presenças do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ademar Traiano, e dos deputados Nelson Luersen, coordenador da Frente Parlamentar, Delegado Recalcatti, Soldado Fruet, Anibelli Neto, Coronel Lee, Marcel Micheletto, Paulo Litro, Luciana Rafagnin e Professor Lemos; do secretário-chefe da Casa Civil, Guto Silva; do deputado federal Vermelho; dos prefeitos de Capanema, Américo Bellé, de Saudade do Iguaçu, Mauro César Cenci, de Serranópolis do Iguaçu, Ivo Roberti, de Nova Esperança, Jair Stang, de Realeza, Milton Andreoli, de Barracão, Marcos Zandoná, de Planalto, José Werler, de Bela Vista da Caroba, Dito Storche, de Pérola do Oeste, Nilson Enguels, e de Santo Antônio do Sudoeste, Ferrari Peron; do juiz Marcio Geron; e do ex-deputado federal Assis do Couto. Na sexta-feira, o evento em Medianeira contou com a participação do deputado Hélio Rusch.

 

 

 

 

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