Com intensos debates, Comissão de Cultura promove encontro entre autoridades da cultura e classe artística

Com calorosos debates, alguns protestos e a manifestação de muitas opiniões e propostas, foi realizada nesta quarta-feira, 24, a primeira Audiência Pública da Comissão de Cultura, da Assembleia Legislativa, que colocou pela primeira vez frente a frente os novos gestores estaduais de Cultura e uma diversificada plateia de personalidades das artes e cultura do Paraná.

 

“Este primeiro encontro foi um marco para que a Comissão de Cultura inicie esta gestão interferindo diretamente, entre classe artística e as autoridades públicas, no sentido de promover os debates necessários e aprovando os meios legais para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento cultural do Paraná”, afirmou Recalcatti, eleito presidente da Comissão de Cultura para uma gestão de 2 anos.

 

 

 

De acordo com o deputado Goura, o espaço da Comissão é de dialogo constante com a classe artística, principalmente para ouvir as suas demandas. “Uma das nossas principais reivindicações é o retorno das atividades do Conselho Estadual de Cultura, que não se reúne desde o ano passado”, afirmou, destacando a sua importância para a definição das políticas públicas de cultura.

 

A pluralidade de assuntos, com diferentes pontos de vista, marcou as discussões que, inicialmente, deveriam tratar das Leis do “Plano Estadual de Cultura e do Fundo Estadual de Cultura”. Mas, no calor dos debates, também foram discutidas a fusão entre as Secretarias de Cultura e de Comunicação Social, as ações de descentralização cultural, exemplos de sucesso de Leis de Incentivo, entre outros assuntos.

 

O secretário de Estado da Comunicação Social e Cultura, Hudson José, afirmou que o governo está iniciando uma prática de diálogo permanente com a classe artística, inclusive do interior do estado. Ele destacou que as ações de interiorização serão prioritárias de forma a melhor distribuir os recursos de incentivos fiscais a projetos culturais, como do próprio Tesouro do Estado.

 

Como exemplo, citou que, nas comemorações dos 50 anos do Balé Teatro Guaíra, as apresentações também serão levadas às cidades do interior. Do mesmo modo, segundo ele, ocorrerá com espetáculos da Orquestra Sinfônica do Paraná e exposições itinerantes dos acervos dos museus paranaenses. “Queremos a ampliação de toda a estrutura cultural do estado por todo Paraná”, afirmou.

 

A diretora da Secretaria de Cultura, Luciana Casagrande Pereira, explicou como ficará estrutura administrativa da pasta que, com a reforma administrativa proposta pelo Poder Executivo, deve ser incorporada pela Secretaria de Comunicação. Ela apontou metas e estratégias para cada uma das áreas culturais e mostrou de que forma vai trabalhar para o fomento da atividade.

 

“Nossa diretriz é trabalhar com transversalidade. Não pretendemos fazer uma administração sem conversa. A diferença de olhares é fundamental”, lembrou. Ela, porém, lamentou a redução dos quadros de servidores. Entre 2016 e 2019, a Secretaria de Estado da Cultura teve uma redução de 45% de sua equipe de trabalho. No mesmo período, os repasses do orçamento do Estado para a secretaria caíram de 0,35%, em 2016, 0,18%, em 2019.

 

A redução foi criticada pelo secretário do Siapar, Antônio Gonçalves Junior.  “Não há mais orçamento para a cultura. Com 0,18% do orçamento não é possível promover nada. Os recursos são exclusivamente para custear as despesas fixas da pasta”, concluiu. Para Jessíca Candal, da Frente Única de Cultura do Paraná, a fusão entre Cultura e Comunicação vai piorar a situação.

 

Manuel de Souza, da Ordem dos Músicos do Brasil, chamou a atenção para o sucateamento que a cultura vive em nível nacional, com o fim de órgãos e diminuição de repasses. “O contexto em que vivemos é de desmonte da cultura em todo o país. É neste cenário que devemos pensar o fomento da cultura no Paraná. Devemos trabalhar sério para construção de políticas públicas no estado”, lembrou.

 

Público – Artistas e produtores dos mais diversos segmentos ligados à cultura estiveram presentes na audiência pública para contribuir com o debate sobre as políticas de estado voltadas para o setor. Telma Nardes é proprietária de um estúdio de ilustração e desenho animado, e esteve presente no evento para conhecer os programas de incentivo à produção audiovisual.

 

Ela apontou a descentralização das ferramentas de fomento cultural disponibilizadas pelos órgãos públicos como um dos passos mais importantes neste momento. “Temos que parar de olhar a cultura apenas sobre o prisma da capital. O interior do Paraná é imenso e rico culturalmente e acredito que será preciso muito trabalho para descentralizara cultura no nosso estado”, afirmou.

 

O guitarrista paranaense Kadu Lambach, que já tocou com artistas como o Legião Urbana e o cantor Belchior, ressaltou a importância de promover o encontro entre a classe artística e a nova administração da Secretaria de Comunicação e Cultura. “O Brasil vive um momento de polarização muito grande e toda a iniciativa que promova o debate sempre é muito importante”, declarou.

 

Para o diretor teatral Alex Otto, presidente Instituto de Cultura e Cidadania Nação da Luz – CIC, é sempre produtivo promover o encontro entre a classe artística e órgãos governamentais. “É importante discutir cultura com quem propõe e executa as políticas públicas de cultura”, disse. “Por sermos da periferia, sempre ficamos um pouco à parte do que acontece nas Secretarias de Cultura e esse debate é fundamental”, completou.

 

Segundo ele, é preciso definir bem os papéis e a atuação social de cada parte envolvida. “Nós, que promovemos a cultura, precisamos nos organizar ao máximo para depois cobrar o Poder Público. E o Estado também tem que estar pronto para atender as demandas. Temos que construir juntos”, explicou.

 

Participaram da mesa de debates o secretário de Estado da Comunicação Social e Cultura, Hudson José, a diretora geral da Secretaria de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, a presidente da Comissão de Assuntos Culturais da Ordem dos Advogados do Brasil Seção do Paraná (OAB-PR), Carmen Nicolodi, a diretora-presidente do Teatro Guaíra, Mônica Rischbieter, o presidente do Fórum de Gestores Municipais de Cultura da Região Metropolitana de Curitiba, Fernando Cordeiro, o representante do grupo de gestores de cultura dos sete maiores municípios do Estado, Miguel Perez da Silva, a representante da Frente Única de Cultura do Paraná, Jessíca Candal, o emissário da Ordem dos Músicos do Brasil, Manoel de Souza Neto, e o secretário do Sindicato da Indústria Audiovisual do Paraná (Siapar), Antônio Gonçalves Junior. 

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